
Neste ensaio pretendo dissertar sobre “Código Da Vinci” (2006), aviso com antecedência que minhas observações sobre o filme são de cunho pessoal, por isso, não quero que você, leitor e leitora, as tome como verdade, já que trata-se de apenas um ponto de vista sobre a película, podendo portanto haver outros múltiplos olhares. O termo mediocridade do título foi utilizado propositalmente, não que eu acredite que o filme tenha sido medíocre, mas o termo burocratização não causaria tanta polêmica quanta palavra mediocridade. Agora posso dar início...
Se Dan Brown tem rítimo para dar e vender na produção de suas obras literárias, não posso dizer o mesmo do Diretor de cinema vencedor do Oscar 2002, Ron Howard (Uma Mente Brilhante), este se mostra um dirigente alinhado ao cinema juvenil e arrasa-quarteirão (blockbuster) de Hollywood ao invés de tentar assumir um cinema transgressor e autoral dentro da academia cinematográfica estadunidense. Ao adotar o modelo blockbuster para a condução do “Código Da Vinci”, o Diretor faz do filme uma caça entre gato e rato, recaindo nas velhas e cansativas perseguições policiais (quer clichê Hollywoodiano pior para o espectador?). Ao fazer isto, Ron Howard minimiza no filme as discussões de cunho supostamente histórico, realizadas no Museu do Louvre e na casa de Sir Leigh Teabing (Sir Ian McKellen), em pró da maximização às perseguições; ao optar por este paradigma cinematográfico, Ron Howard acaba por transformar o “Código Da Vinci”, que tinha tudo para ser interessante, em apenas uma aventura rotineira.
Outro aspecto que para mim prejudicou o filme foram às atuações de Tom Hanks (Robert Langdon) e Audrey Tautou (Sophie Neveu), eles se apresentaram pouco convincente em suas representações, não havendo sintonia entre o casal em diversas tomadas do filme. O próprio Hanks, conhecido por brilhantes interpretações como a do filme “O Naufrago” (2000), virou amador sob a Direção de Ron Howard, criando um Robert Langdon sem iniciativa em quase todo o filme, já Audrey Tautou ainda encontra-se, aparentemente, presa ao personagem do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” (2002), é uma aflição, pois, a menina parecia ter bastante talento, acredito que devemos aguardar outras películas para melhor avaliarmos o seu trabalho.
Apesar dos fracassos de Hanks e Tautou em suas atuações, Sir Ian McKellen (Deuses e Monstros, 1998) manteve o nível de suas representações ao interpretar Sir Leigh Teabing. É deste personagem que parte a melhores falas, além das melhores críticas ao posicionamento da igreja Católica em questões polêmicas; é interessante observar como Ian McKellen assumiu o seu personagem, talvez, tamanha afinidade deva-se ao fato do ator ser assumidamente orientado para homossexualidade, assim ostentar um personagem crítico a igreja de Roma é uma das formas de expressar descontentamento e resistência a postura intransigente da mesma. Outra boa atuação foi de Paul Bettany (Dogville, 2004) que caracteriza com distinção o monge da opus dei Silas, é dele que parte as melhores cenas de tensão no filme.
Por fim, acredito que, a falta de atrevimento de Ron Howard é crucial para a burocracia cinematográfica que foi “O Código Da Vinci” em seus 144 minutos de exibição; se a Direção tivesse sido ousada na criação do filme, talvez, este tornar-se-ia diferente das rotineiras aventuras do verão estadunidense (período de maior lucro nos cinemas dos EUA). Creio que Ron Howard, assim como muito de nós, precisa urgentemente a apreender que transgredir é (re)inventar a sétima arte.
Dica para DVD:
Nome: Três Enterros de Melquiades Estradas
Direção: Tommy Lee Jones
Ano: 2006
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