
Meu objetivo ao escrever este texto é refletir as possíveis causas da promoção do terrorismo, para isto, realizarei minhas reflexões baseadas no Filme “Paradise Now” (2005) de Hany Abu-Assad.
Justifico este breve texto, pois, escrevê-lo foi pensar em mim. O filme me permitiu compreender que podem existir inúmeras razões (ou falta dela) para realizarmos determinadas atitudes mesmo que estas possam suprimir outros seres humanos; não que eu aprove tirar a vida de outro humano, pelo contrário, meus valores religiosos, familiares e minha concepção de direitos humanos não me permitiram isso, mas assistir “Paradise Now” me deixou compreender alguns valores da causa terrorista. Testemunhar a um filme que nos da oportunidade de conhecer o outro lado da moeda, neste caso a dos Palestinos, foi uma chance de crescer enquanto ser humano, por isso, para aqueles que ainda não assistiram, veja o outro “mundo” através do cinema, uma vez que, é uma ótima possibilidade de refletir sobre os múltiplos valores que permeiam o mundo, e admitirmos que toda ação humana afeta direta ou indiretamente a todos nós.
O filme que utilizarei para refletir focaliza inicialmente o cotidiano de dois personagens, Said e Khaled, nos primeiros minutos é possível observar que ambos não apresentam projetos de vida, pois, vivem em um país devastado pela guerra e pela falta de oportunidade de emprego (a imagem de Khaled e Said conversando, ainda no inicio do filme, nos mostra uma cidade em ruínas), a partir do momento do recrutamento para a missão, a película adentra, através de diálogos, as possíveis razões para se realizar o atentado ou não, neste momento, forma-se um trio dialógico: Said e Khaled são as vozes do terror, pois defendem o terrorismo como a única forma de reagir contra a opressão israelense, Suha (uma mulher) é a voz da sensatez, pois, entende que existem outras formas de manifestar resistência a ocupação. É interessante destacar que, todos os três personagens tiveram em suas histórias de vida, tragédias ligadas a Israel. Said teve o pai executado pelos palestinos, pois, era colaborador com os israelenses, Khaled teve o pai aleijado por militares israelenses durante uma das invasões e Suha teve um pai que cometeu suicídio em pró da causa palestina.
Neste ponto me questionei. Que causas podem levar o individuo para o terrorismo ou para o mundo do crime? Será que teríamos tantos adeptos ao terror se na palestina tivesse uma educação voltada para o respeito à vida? Será que teríamos tantos adeptos ao terror se o resto do mundo tivesse uma educação voltada para o respeito ao próximo?
Creio que um dos aspectos (existem vários) que alimenta tanto o terror como a criminalidade é a falta de compreensão do mundo civilizado com as diferenças (olha como já o destratamos por olhá-los como incivilizados), além disso, o processo de individualização do ser humano distorceu o nosso a olhar, hoje vemos o outro como estranho. Não reconhecer os nossos “semelhantes” nos levou a um silêncio, a um inexistente dialogo entre os nossos pares, como conseqüência, forma-se todos os dias inúmeras lutas armadas em diversas partes do globo por razões até banais. No Brasil, se não temos “guerra” no sentido literal, vivemos em constante ameaça urbana, os bandidos brasileiros, assim como os terroristas palestinos, são frutos do sistema que não se preocupa com a formação para o coletivo, para a diversidade. Atualmente, a partir das reflexões em mim desencadeadas, sou consciente que toda ação local reflete o global, a causa palestina não é um caso isolado, é reflexo de um mundo desunido, de uma Babel que não deseja se entender, apesar da pós-modernidade desejar olhar para o complexo, para um local global, creio que é preciso que aqueles que estão no poder padeçam para que mentes abertas ao diálogo e reflexivas possam dar um novo rumo às sociedades humanas.
O que levou Said e Khaled, e leva muitos outros a tornarem-se terrorista, mais do que o desejo de revanche, é estarem inserido em um contexto sem perspectivas, sem a possibilidade de um futuro melhor a curto e médio prazo, assim, o terrorismo fundamentado na religião surge para os recrutas não como morte, mas como alternativa para um futuro próspero.
Enfim, posso dizer que, “Paradise Now” é um filme sem “gorduras”, não cria dramas excessivos afim de tentar convencer o espectador da causa terrorista, entretanto apresenta o terror como um elemento presente no dia-a-dia de uma população sem perspectiva, alienada pelo campo de concentração que se tornou as região povoada pelos árabes/palestinos. Deste modo, deixo a pergunta realizada no título do blog para você. Acabar com Terrorismo é responsabilidade de todos? Para mim SIM, mas para extinguir este movimento depende da maior humanização de mim, de você, da Maria, do João, do José, da Raimunda...
Dica para DVD:
Nome: Match Point – Ponto Final
Direção: Woody Allen
Ano: 2005